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Alunos de colégios públicos e particulares
se engajam em programas escolares anti-drogas
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Procuram-se
adolescentes de 12 a 18 anos, que sejam responsáveis,
com perfil de líderes e dotados de habilidades
para performances públicas. Exigem-se bom comportamento,
abstinência de álcool, cigarro e drogas
ilícitas. Os interessados podem preencher as
vagas de voluntários 4° Pride, programa escolar
anti-drogas importado dos EUA.
O projeto,
que chegou ao Brasil em 2002, foi ampliado no ano passado
e está em andamento em 17 escolas do Estado de
São Paulo, três delas públicas.
Tudo gira em torno do lema "de jovem para jovem"
- quem elabora as atividades, fala e divulga informações
são grupos de alunos do colégio, selecionados
após avaliação com coordenadores.
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Sua missão:
pregar urna vida longe das drogas aos demais colegas.
"A diferença
esta na relação olho no olho. A mensagem
é passada no linguajar próprio da idade,
e essa relação se da no mesmo nível,
nunca de cima para baixo. E mais fácil para o
adolescente aprender com seus pares", diz o pediatra
Dr. Marun David Cury, 55, presidente do Pride no Brasil.
O nome do
projeto é a sigla para Parents' Resource Institute
for Drug Education - alérn de urna brincadeira
com o significado de "PRIDE" (orgulho). Na
versão nacional, recebe o nome de Instituto para
a Educação no Combate as Drogas.
Criado nos
EUA há 27 anos, o Pride já atingiu 6 milhões
de adolescentes, em mais de 6 mil escolas. A proposta
se apóia em dois pilares, a adolescência
é porta de entrada para mundo das drogas (nada
melhor, portanto, que agir em âmbito escolar),
e nesse meio-de-campo, a mensagem transmitida de jovem
para jovem teria mais eficácia.
Urna das
voluntárias, Gabriela Scalambrini, 16, aluna
do 3º ano do ensino médio do Colégio
Morumbi Sul, no Morumbi, diz que seu grupo de alunos-agentes
tenta fugir dos "sermões" anti-drogas,
formato que, segundo ela, os adultos adotam.
"Nos
usamos o lema' A vida sem drogas', que é mais
ameno; 'Não as drogas' e autoritário demais.
Os alunos vêem que nós ternos a mesma idade
e que somos felizes sem usar nada, e isso e mais convincente
do que ouvir um adulto fazendo discurso", acredita.
As principais
atividades desenvolvidas pelos grupos do Pride, em encontros
não-obrigatórios, geralmente semanais,
que não rendem pontos nem nota, são teatro,
dança, música e monólogo. "A
gente evita fazer palestra, acaba ficando chato. O método
mais eficaz são as peças que nos mesmos
inventamos", diz a voluntária Caroline Ayabe,
13, da 7ª série do colégio Albert
Einstein, em Interlagos.
Ao contrário
de muitos voluntários do Pride, Caroline tem
um discurso, digamos, mais realista. "Experimentar
é natural, até para você enfrentar
o inimigo. Já testei cigarro, porque tinha curiosidade
de saber como é, provei conhaque num bombom de
chocolate e tomei cerveja. Mas odiei, argh", conta.
A adolescente
diz que seu grupo não e unanimidade positiva
na escola e que eles já ouviram "de tudo":
“Alguns acham a gente careta, outros dizem que
somos maconheiros. Muitos riem e falam 'Ah, é
impossível ir para uma balada e não beber
nada”. “O pessoal mais bagunceiro acha o
que a gente faz inútil”, completa Caio
José Albuquerque Santos, 14, seu colega de sala.
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Barato
sem química
A eficácia do modelo do Pride e vista com reticência
por alguns especialistas. "Muitos estudos já
foram feitos para verificar o impacto da intervenção
e realmente e melhor se o agente for alguém do
grupo. Mas depende também do aluno escolhido.
“Se for o nerd da turma, ninguém vai querer
seguir o que ele diz”, observa o psiquiatra Dartiu
Xavier, 49, coordenador do PROAD (Programa de Orientação
e Atendimento a Dependentes) da Universidade Federal
de São Paulo.
Para Dartiu,
é estranho que o programa exija de todos os voluntários
um comprometimento de não beber, não fumar
nem usar drogas ilícitas, em nenhuma ocasião.
"Não queremos uma sociedade asséptica.
Eu diria que se trata de um grupo de pessoas muito estranho,
porque essa não e a realidade.
Segundo Dr.
Marun David Cury, o Pride barra esse tipo de voluntário
porque, se não fosse assim, "perderia a
função". "Você tem de
ter parâmetros. Se estamos lutando para o jovem
não ser usuário, não há
razão para termos alunos que são."
Nas 63 escolas estaduais dos municípios de Itaquaquecetuba
e Poá, o projeto apelidado de "O barato
não é químico" envolve cerca
de 100 mil estudantes. Em geral, cada unidade conta
com 30 alunos multiplicadores, responsáveis por
disseminar a prevenção contra as drogas
entre os colegas.
"Eles
são supervisionados pelos professores, mas criam
suas próprias oficinas e atividades", diz
Luiz Vieira Pita Neto, 45, coordenador local dos programas
de prevenção da diretoria de ensino de
Itaquaquecetuba.
Pita conta que os multiplicadores não precisam
ser adeptos da "lei seca". "Ninguém
e obrigado a garantir que não vai usar nada.
Com essa regra, nos excluiriamos os usuários.
Na verdade, nem questionamos isso, mas sabemos que boa
parte dos estudantes ja teve contato com drogas.
Independentemente
do agente, Dartiu Xavier afirma que, se o discurso não
for o daquela faixa etária, ele perde toda a
eficácia. "Não adianta usar a ideologia
anti-drogas, a fala dos pais, o modelo repressivo. O
mais indicado e explicar os riscos e transmitir esclarecimentos",
diz o psiquiatra. "Se você falar para um
adolescente ' A maconha mata', ele não vai querer
ouvir a sua próxima frase, isso acaba com qualquer
diálogo. Mas se disser 'Usar maconha pode ser
uma coisa complicada', ele vai se interessar."
Reportagem retirada da Revista Folha,
escrita por Débora Yuri
Foto: Karime Xavier/Folha Imagem
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