Criança e consumo
Projeto Pequeno Empreendedor desperta consciência crítica a respeito das práticas de consumo de produtos e serviços na infância

Não há um pai sequer que nunca tenha ouvido os filhos implorarem pela compra daquela boneca que fala ou daquele carro de brinquedo que vira robô. O consumismo infantil é cada vez maior. Mas ninguém nasce consumista. Isso é uma característica cultural marcante da sociedade atual.

As crianças, ainda em pleno desenvolvimento, estão, portanto, mais vulneráveis que os adultos aos apelos consumistas. Por isso, o Colégio Morumbi Sul desenvolve atividades em prol da educação para o consumo consciente.

Hoje, as crianças são donas dos celulares mais modernos, tênis, calças e bolsas da moda, games, ipods e outros acessórios caros. Infelizmente, sofrem cada vez mais cedo com as graves consequências relacionadas aos excessos do consumismo: obesidade infantil, estresse familiar, violência e outros.

Nesse sentido, o consumismo infantil é uma questão urgente. Mas se o fato é motivo de preocupação para pais e educadores, é comemorado pela indústria da publicidade que, a cada ano, investe mais nesse público.

Meu dinheirinho!

As crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do Colégio Morumbi Sul aprendem a lidar com o consumo de forma saudável. O projeto Pequeno Empreendedor ensina que a compra deve ser uma atitude planejada e consciente.
Os princípios da educação financeira são explicados a partir do cofre de porquinho doado pela escola. Com ele, as lições de economia e empreendedorismo ficam

mais claras. Além disso, as crianças ainda são incentivadas a reaproveitar ou reciclar, ao invés de apenas consumir.

De acordo com a professora Dora Cecília Malta, coordenadora do projeto junto as crianças de 2 a 5 anos, a educação para o consumo cria significado para as coisas. “A infância tem que ser preservada em sua essência como o tempo indispensável e fundamental para a formação da cidadania”, propõe.

Adultos na frente


Mas o primeiro passo é dado com os pais. As famílias recebem orientações de como minimizar os impactos negativos causados pelos investimentos maciços na mercantilização da infância e da juventude.

A iniciativa sugere o uso de bom senso e limites coerentes, até a criança entender mais sobre valores. “Não importa se a família é rica e pode proporcionar até um presente por dia. Ao ver os pais lidando com questões financeiras de forma organizada, a criança aprende que nem sempre vai ter o que quer, e cresce com mais responsabilidade”, afirma a coordenadora pedagógica Maria Tereza Adachi, do Ensino Fundamental I e II.

Não adianta cobrar total compreensão de alguém tão novo. Mas as crianças precisam aprender, aos poucos, que o dinheiro não surge do nada. Para isso, os pais devem incluí-las nas conversas sobre o tema sempre que possível, falando a respeito das compras que irão fazer, de datas de pagamentos ou da poupança para projetos futuros. Aos poucos elas irão aprender as regras do mundo do consumo.

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